Image Image Image Image Image
Scroll to Top

Ir para cima

Breve dicionário audiovisual do Ibermedia

Tal como os outros, também no Ibermedia estamos a tentar compreender a nova terminologia usada pelos profissionais da indústria audiovisual. Onde quer que vamos, ouvimos estranhas palavras (nós chamamo-las «palavros») tais como crowdfunding, edutainment ou hackathon, cujo significado nem sequer é claro na sua língua original (pois, muitas vezes, um «palavro» vem de um jogo de palavras prévio). Este breve dicionário ou manual de novos termos nasce com o fim de reunir e compreender esse novo léxico usado desde há pouco tempo e que evolui com a mesma velocidade do que a tecnologia. As fontes não são citadas porque a maioria delas provém de materiais tão diversos quanto dispersos, como blogues, sites, portais de universidades, a Wikipédia, livros de marketing ou o mundo dos videojogos. Em cada entrega iremos acrescentar dois palavros novos; aprender vai ser divertido.

A B C E F G H M O R S T V

Televisão social

Até há pouco tempo, as pessoas viam televisão e no dia seguinte comentavam os programas no café durante o pequeno-almoço, no local de trabalho, no bar… Agora isso está a mudar, e a televisão social não é senão a coexistência da televisão em direto (necessariamente, neste momento) e as redes sociais, nas quais as pessoas vão comentando o que veem, através de um segundo ecrã.

O Twitter é a rede preferida.

Alguns canais de TV, principalmente norte-americanos, vão mais longe, e já começaram a fazer aplicações para se poder comentar no Twitter e, através delas, ganhar badges (uma espécie de “medalhas” que as pessoas podem mostrar online), pistas sobre episódios seguintes, cenas exclusivas, etc. Neste momento, o caso mais paradigmático é a série de zombies The walking dead.

O fenómeno está crescer tanto que não só estão a surgir plataformas para permitir aos utilizadores ver os comentários daqueles que estão a acompanhar o mesmo programa, mas também está a mudar o modo de medição de audiências de televisão, com as novas ferramentas de medição social.

Para dar uma ideia, dados EUA:

A entrega dos Óscares da Academia 2013 gerou nas redes sociais oito milhões de comentários.

Em 2012, o top 5 da televisão social nos EUA foi liderado pela entrega dos prémios Grammy, com 13 milhões de comentários e menções nas redes sociais, seguido pela transmissão dos MTV Music Awards com 12,8 milhões, o Super Bowl com 12,2 milhões, o programa participativo Prémios BET com 8,1 milhões e a final do campeonato de basquetebol NBA com 6,3 milhões.

Como se pode observar, as galas e os eventos desportivos, em direto, são os mais comentados, seguidos das séries de ficção, que estão a ganhar terreno. Em Espanha, além dos reality shows, o programa jornalístico “Salvados” tem um número de comentários enorme e mobiliza o público através do Twitter, chegando a pedir-lhes sugestões de programas, interpelando-os…

Para saber mais.

Transmedia

Narrativa que se desenvolve através de diferentes canais e suportes, on e offline, e que constitui um universo narrativo coerente.

Cada uma das partes que formam a história deve ter sentido próprio, e é captada como uma narração compreensível, embora possa ser parcial. As histórias que emanam da narração principal devem poder ser compreendidas como unidades narrativas isoladas, mesmo que não se conheça a primeira história. Devem completar, acrescentar ou ampliar o cânone principal da história.

Não é transmedia quando, no fim de um filme, o espectador é enviado para um site com mais informação, entrevistas ou cenas inéditas, porque esses materiais extra não têm uma estrutura narrativa por si sós, não geram uma nova história a partir da história principal (spin off). Isso seria crossmedia, porque a história se expande através de diferentes plataformas, mas os materiais com que o faz não são narrações com unidade de sentido.

No entanto, trata-se de transmedia quando o material no site é um diário secreto da personagem protagonista, porque se pode ler como uma peça de ficção compreensível como uma narração unitária, que, além disso, poderia incitar a ver o filme para saber mais. É também transmedia um podcast com as canções que a vítima estava a ouvir antes de ser assassinada – que não aparece no filme porque tinha auriculares, porque acrescenta uma narração (uma canção) à história principal. Outro exemplo é uma curta-metragem que conta o momento em que a vítima e o assassino se conhecem, algo que no filme apenas é referido sem ser explicado. Novamente, é transmedia se a curta-metragem puder ser compreendida como uma peça independente da história canónica.

A definição de transmedia é muito confusa. Algumas pessoas, nomeadamente dos Estados Unidos, embora sejam minoritárias, usam crossmedia para se referirem tanto às narrações que usam diferentes suportes para a sua divulgação como às que acrescentam histórias adaptadas a cada suporte, o que aqui chamamos transmedia.

A diferença parece-nos relevante, pois o crossmedia simples costuma ser mais uma estratégia de marketing que pretende aumentar o número de visualizações do mesmo produto em diferentes plataformas, com acrescentos. O transmedia obriga os criadores a ampliar os universos das histórias com meios cada vez mais sofisticados na análise de personagens e enredos, criando uma experiência muito satisfatória para os fãs, sempre ávidos por saber mais. Com técnicas transmedia não só se atrai mais público: a arte também fica a ganhar.

CAACI

Blogroll

    ICAU AECID ANCINE Centro Costarricense de Producción Cinematográfica CNAC CNCINE CONACINE Bolivia Consejo Nacional para la Cultura y las Artes ICAIC Consejo Nacional de la Cultura y las Artes Perú – Ministerio de Cultura Secretaria Ministério do Audiovisual da Cultura Secretaría Nacional de Cultura de Paraguay Dirección General de Cine (DGCINE) – República Dominicana ICA Instituto Mexicano de Cinematografía INCAA Ministerio de Cultura República de Colombia Corporación CINE Puerto Rico Sistema Estatal de Radio y Televisión

Unidad Técnica Programa Ibermedia, 2013 - Desarrollado por CódigoMedia