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Princesas rojas

Quatro produções que receberam o apoio do Programa Ibermedia irão concorrer no 29.º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara que este ano é celebrado a partir de 21 de março. Três delas concorrem pelo Prémio Mayahuel na categoria de Longa-metragem Ibero-americana de Ficção e são Princesas rojas, de Laura Astorga (Costa Rica); Puerto Padre, de Gustavo Fallas (Costa Rica), e Pelo malo, de Mariana Rondón (Venezuela). A quarta é A ras del cielo, do mexicano Horacio Alcalá, que participa na secção Documentário Ibero-americano.

Princesas rojas é a primeira longa-metragem da realizadora costa-riquenha Laura Astorga, e através da qual recria a sua infância. “É a minha história, sim, mas misturada com elementos de ficção”, diz. O filme mostra um jovem casal mergulhado na luta social da Nicarágua na época da Revolução Sandinista (primeira metade dos 80). O casal tem duas filhas: Claudia (Valeria Conejo), de onze anos, e Antonia (Aura Dinarte), de dez. É nas meninas, cuja representação recebeu mais do que um elogio, que recai o peso da história, pois é através do seu olhar que os acontecimentos serão narrados. O casal recebe ordem de ir para a Costa Rica, o seu país de origem, para realizar trabalhos de inteligência a favor dos revolucionários. Esta mudança afeta muito Claudia e Antonia, que não se adaptam ao novo país nem à escola. Apesar disto, Claudia brinca e sonha formar um movimento socialista em solo costa-riquenho, mas este sonho é truncado quando a mãe trai a causa revolucionária e emigra para os Estados Unidos em busca do “sonho americano”. “Ao longo da história, o casal formado pelos pais quebra-se tanto sentimental como politicamente, e todo esse processo é visto da perspetiva das duas meninas”, explica Astorga. As pequenas sofrem este afastamento sem compreender os seus motivos e sem se aperceberem do risco que correm. “É um filme íntimo, porque fala de uma coisa muito familiar que não se conhece e porque as questões políticas costumam ser abordadas a partir da grandiloquência e quase nunca da intimidade”. E acrescenta: “Eu saio da linha e conto o íntimo do político, ou o trivial do ético, de uma época duríssima para a América Central e para a minha família”. Esta co-produção costa-riquenha-venezuelana de 100 minutos de duração recebeu prémios na categoria de primeira obra no Festival de Cinema de Los Angeles, nos Estados Unidos, e o de Margarita, na Venezuela.

Puerto Padre é também o primeiro filme do realizador costa-riquenho Gustavo Fallas, que nos conta a história de Daniel (interpretado pelo debutante Jason Pérez), um adolescente órfão que vive na ilha Chira do Golfo de Nicoya e decide procurar melhores oportunidades em terra firme. Com esse objetivo viaja até ao porto de Puntarenas para procurar o seu padrinho e chega a um hotel onde a mãe já trabalhou. “É aí que acontece o coração da história, e onde ele irá encontrar coisas relacionadas com as suas origens”, explica o realizador. Infelizmente para Daniel, o seu destino não era o que esperava: o hotel é um local pobre e as pessoas que encontra são marginalizados sociais. Mas também conhece Soledad (Adriana Álvarez), uma jovem mãe solteira que é obrigada a prostituir-se por Chico (Gabriel Retes), um idoso violento e um pouco trastornado. Daniel e Soledad apaixonam-se e sonham fugir, o que não vai ser fácil. Esta co-produção entre a Costa Rica e o México já triunfou no Festival Internacional de Cinema da Costa Rica 2013 ao vencer os prémios para a melhor longa-metragem de ficção, a melhor atriz para Adriana Álvarez, o melhor ator para Jason Pérez, o melhor argumento e o melhor realizador para Gustavo Fallas, o melhor desenho de produção para Felipe Cordero e a melhor direção de fotografia para Fernando Montero. O ator Gabriel Retes obteve também uma menção especial.

Pelo malo, o terceiro filme da cineasta e artista plástica venezuelana Mariana Rondón, chega ao festival mexicano depois de obter a Concha de Ouro para o Melhor Filme no Festival de Cinema de San Sebastián 2013 e o Alexandre de Bronze no 54.º Festival de Cinema de Tessalónica, na Grécia, entre outros reconhecimentos. O terceiro trabalho de Mariana Rondón conta a história de um menino de um bairro pobre de Caracas que tem o cabelo encaracolado, “cabelo mau” segundo ele, e quer alisá-lo para aparecer na fotografia da escola. Este desejo não é, de modo algum, partilhado pela mãe, que acaba de perder o companheiro e também o emprego, e que começa a duvidar da sexualidade do seu filho e a temer a rejeição da sociedade em que vivem. Trata-se de uma co-produção entre a Venezuela, Peru, Argentina e Alemanha, e o seu enredo aborda também a questão do racismo na América Latina.

A ras del cielo, o primeiro documentário do mexicano Horacio Alcalá, percorre onze países para descobrir o mundo do circo através da vida e dos sentimentos dos seus artistas. “Queria mostrar o lado humano, retratar diferentes histórias para nos aproximarmos do seu lado real, depois de limparem a maquilhagem e longe das luzes e da cenografia do circo industrial”, diz Alcalá. A ideia surgiu numa das suas viagens, quando trabalhava para o famoso Cirque du Soleil. Depois de três anos de preparação e dois de gravação, o resultado foi aplaudido pela crítica. A ras del cielo consegue mostrar, com uma fotografia e música magníficas, oito testemunhos que para além das diferenças linguísticas, geográficas e culturais partilham a mesma paixão pelo circo: “Cada uma dessas oito histórias tem algo a ver com a minha vida, por isso também me serviu para contar algo de mim”. Nos 87 minutos que o filme dura, aprecia-se o talento de Damian (Austrália), de Jonathan (Inglaterra), dos acrobatas Max (França) e Antonio (Espanha) –que sofre um grave acidente–, de Saar (Holanda), da dançarina Eryka y e do dueto Philippe e Marie Lee (Canadá), e do palestiniano Fadi. “Os artistas não nos colocaram qualquer obstáculo. A sua generosidade tornou este longo caminho muito mais fácil”, reconhece. O filme, que mostra “pessoas comuns a fazer coisas extraordinárias”, foi co-produzido por Espanha, México e Portugal. A ras del cielo chega ao Festival de Cinema de Guadalajara como um dos favoritos na secção Documentário Ibero-americano.

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