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A GUIONISTA PAZ ALICIA GARCIADIEGO, ARIEL DE OURO AO PERCURSO: “SER AUTOR É SER RESPONSÁVEL PELA OBRA, RESPONDER POR ELA”

04, Set 2019 / Tags: , , , , , , , , , , , , , ,
por Ibermedia

La guionista mexicana Paz Alicia Garciadiego. © Germán Canseco | Revista Proceso.

Num perfil publicado na revista Gatopardo, Ricardo Marín lembrava há pouco que a argumentista mexicana Paz Alicia Garciadiego costuma medir o tempo em filmes. Os filmes cujas histórias e diálogos têm a sua assinatura. Às vezes diz, por exemplo, “Demorámos vários, não digamos anos, mas sim filmes a concretizar este projeto”. Ou também: “Sim, isso foi há quatro filmes”. São a sua maneira de evocar, de trazer para o presente acontecimentos que para ela têm um apoio real no mundo do cinema, o seu mundo. É por isso que ninguém ficou surpreendido com o facto de este ano a Academia Mexicana das Artes e Ciências Cinematográficas (AMACC) lhe conceder o seu máximo galardão, o Ariel de Ouro ao percurso, na 61.ª edição dos famosos Arieles mexicanos. É a primeira vez que este prémio é concedido a uma escritora (ou escritor) exclusivamente cinematográfico, razão pela qual, no seu discurso de recebimento, a autora de guiões célebres como o de Profundo carmesí ou El coronel no tiene quien le escriba tenha sido profundamente reivindicativa com os seus: “Quero dedicá-lo ao meu setor: os guionistas”, disse, e os aplausos ressoaram com força.

*A fotografia superior é de © Germán Canseco, da revista Proceso.

“Agradeço emocionada esta distinção à Academia. Honra-me e comove-me. Era assim que começava o seu discurso, que Paz Alicia Garciadiego teve a gentileza de nos enviar à Ibermedia, grande amiga como é do nosso Programa de estímulo à formação, ao desenvolvimento e à co-produção de filmes ibero-americanos.

“Mas hoje, mais do que agradecer, quero dedicar este prémio”, prosseguiu, mesmo antes de incluir os escritores do seu ramo no reconhecimento. “Sou guionista, membro desse grupo desdenhado e desprezado. E é por isso que hoje tomo a palavra em nome de todos os que escrevem cinema”.

“Os guionistas são a mão-de-obra dispensável e substituível, apesar de, qual demiurgos brincalhões, tirarmos a história do nada: concebemo-la, damos-lhe estrutura, forma, personagens, cara e voz”.

Ao longo dos seus quase trinta e cinco anos de carreira, Paz Alicia Garciadiego viu como dezassete dos seus guiões foram filmados, quinze deles sob a direção do seu companheiro, Arturo Ripstein. El imperio de la fortuna (1985), Mentiras piadosas (1988), La mujer del puerto (1991), Principio y fin (1993), La reina de la noche (1994), Profundo carmesí (1996), El evangelio de las maravillas (1998), El coronel no tiene quien le escriba (1999), Así es la vida (2000), La perdición de los hombres (2000), La virgen de la lujuria (2002), El carnaval de Sodoma (2006), Las razones del corazón (2011), La calle de la amargura (2015) e o muito recente El diablo entre las piernas (2019, cuja estreia mundial será no Masters do Festival de Toronto deste ano).

A estes guiões devemos somar o de Ciudad de ciegos, escrito para Alberto Cortés (1990), e o de Noche de paz, para Ximena Cuevas (1998).

Por vários deles recebeu numerosos prémios. Por exemplo, com Profundo carmesí ganhou no Concurso Ibero-americano de Guião do Festival de Havana e a Ocella de Ouro ao Melhor Guião na Mostra de Veneza, e com La perdición de los hombres, a Concha de Ouro ao Melhor Guião no Festival de San Sebastián. Também foi nomeada para os Goya com El coronel no tiene quien le escriba, e os seus guiões foram publicados como livros na Argentina, Espanha e México.

Paz Alicia Garciadiego. © Cortesía de la autora.

Paz Alicia Garciadiego. © Cortesia da autora.

Sem ir mais longe, há alguns anos, antes do Ariel de ouro ao percurso concedido pela Academia Mexicana das Artes e Ciências Cinematográficas, recebeu também a Medalha Salvador Toscano ao Mérito Cinematográfico.

“Todo o guionista tem o triste mandado de aceitar a fugacidade do seu trabalho”, lembrou ao receber o Ariel de Ouro. “E, no entanto, o momento em que o guião desaparece à frente da câmara é gratificante, jubiloso. O guião morreu, viva o filme. Júbilo e nostalgia entrelaçados: viver no papel para morrer no ecrã”.

“Esta noite quero desejar aos tantas vezes esquecidos colegas de ramo, os guionistas, que possam conceber universos de celuloide e construir uma carreira da qual possam finalmente dizer: respondo por ela”, prosseguiu no ato de entrega do prémio. “Não é fácil, aliás, é quase impossível. A indústria conspira contra isso. A importância do guião fica sepultada sob uma infinidade de fatores técnicos, económicos ou publicitários. No nosso é o trabalho em solitário e, portanto, esquecível. Tal ausência de reconhecimento tem limitado a possibilidade de nós, os guionistas, termos uma carreira própria, reconhecermos uma autoria”.

“Eu, por circunstâncias atribuíveis à minha estrela da sorte, tenho conseguido fazê-lo. É por isso que a minha estrela da sorte explica que aqui e agora receba este prémio com muita emoção. Um prémio ao meu já longo ofício. Um prémio, também, ao meu setor. Este meu setor tão indiscutivelmente importante e tão injustamente ignorado”.

Chegado este momento, como dizíamos no início, já só se ouviram os aplausos.

Paz Alicia Garciadiego. © Cortesía de la autora.

Paz Alicia Garciadiego. © Cortesia da autora.

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